Compras internacionais avançam e já alcançam mais de 68 milhões de consumidores brasileiros

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offewise, revelou um movimento que vem redesenhando o comportamento de consumo no país: praticamente 100% dos consumidores entrevistados afirmaram ter realizado ao menos uma compra em sites internacionais no ano anterior ao levantamento. A estimativa aponta que mais de 68 milhões de brasileiros adquiriram produtos importados ou expedidos diretamente de outros países.

O estudo aponta que o preço mais baixo segue como principal fator de atração — citado por 43% dos entrevistados. Em seguida aparecem o frete mais barato (38%), a maior variedade de produtos (37%), a confiança no site (35%) e a qualidade percebida dos itens (31%). Entre as categorias mais compradas estão roupas e calçados (29%), acessórios de moda (26%), artigos para casa (24%) e cosméticos e perfumes (22%).

Apesar da forte adesão, o cenário também mostra sinais de retração: 41% dos consumidores afirmaram ter reduzido ou interrompido as compras internacionais recentes. A nova taxação sobre compras feitas no exterior divide opiniões — a maioria discorda da cobrança, avaliando-a como prejudicial para famílias de baixa renda. Ainda assim, cerca de um quarto dos entrevistados, especialmente entre as classes A e B, declara concordar com a medida, entendendo que ela favorece a concorrência mais equilibrada entre varejistas brasileiros e estrangeiros.

Outro hábito consolidado é o da comparação de preços: metade dos consumidores afirma verificar se o mesmo produto está disponível em sites internacionais antes de finalizar qualquer compra. Contudo, a taxa de importação continua sendo apontada como a principal desvantagem nas compras de fora.

Para José César da Costa, presidente da CNDL, os resultados evidenciam um desafio estrutural para o varejo nacional.
“Os dados confirmam que os preços e a variedade continuam sendo determinantes na decisão de compra dos brasileiros. Para reverter esse cenário, o comércio nacional precisa de um ambiente de negócios mais competitivo, com políticas públicas que reduzam a carga tributária e aprimorem a infraestrutura logística”, afirmou.